sexta-feira, 3 de julho de 2015

Malafaia e a ‘moralidade’


No ano passado, mais precisamente no período que antecedeu as eleições, um fato me chamou atenção. O Pastor Silas Malafaia se referia à legalização da maconha e ao casamento homoafetivo como ‘lixo moral’, durante a propaganda eleitoral de candidatos apoiados por ele.

Por se tratar de época de eleições, havia muitos temas relevantes e acabei não tocando no assunto. Porém, devido a recente polêmica envolvendo o pastor e o jornalista Ricardo Boechat, me fez vir à tona novamente a tal declaração, e refletir:

Um ser que se tornou milionário à custa da exploração da boa fé de milhões de pessoas desfavorecidas financeiramente.

Um ser que se utilizada da figura de líder religioso para lançar uma campanha chamada “Clube do Um Milhão de Almas”, que pretende levantar U$$ 500 milhões (R$ 1 bilhão) para a sua igreja, a fim de criar uma rede de televisão global, que seria transmitida em 157 países.

Um líder religioso que ao invés de exercer seu papel que seria o de propagar a paz, o amor, o respeito e a união. Pelo contrário incita a segregação e o ódio ao clamar para a Igreja Católica “entrar de pau e baixar o porrete em cima dos gays” e atacando pessoas com palavras de baixo calão como “otário” e “idiota”.

Um líder religioso capaz de chamar a jornalista da revista Época Elaine Brum de vagabunda, apenas por discordar de um artigo onde ela relatava a intolerância vivida por pessoas ateias no Brasil.

Um ser desse ‘nível' é digno de se pronunciar sobre ‘moralidade’?

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Exposição de comemoração dos 450 anos do Rio mostra uma cidade redescoberta


Neste ano a cidade do Rio de Janeiro completou 450 anos, e o Museu de Arte do Rio presta sua homenagem através de diversas exposições com destaque para a belíssima Kurt Klagsburnn, um fotógrafo humanista no Rio (1940 – 1960).

Os curadores Marta Klagsbrunn, Marcia Mello, Paulo Herkenhoff e Susane Worcman, fazem um panorama da obra do fotógrafo austríaco de ascendência judaica, Kurt Klagsbrunn. A exposição conseguiu capturar as mudanças do país nas décadas de 1940 até 1960. Kurt revela o papel da aristocracia carioca assim como dos empregados e da classe popular dessa época. Além de um olhar delicado desses tipos, Kurt também fotografa as mudanças urbanísticas do Brasil, a construção de Brasília e as mudanças e construções no Brasil, tudo isso acompanhado de legendas bastantes esclarecedoras, apesar das fotos falarem por si só.

Kurt Klagsburnn foi um fotógrafo dos fotógrafos. Além de fazer muitos auto-retratos, também era especialista em fotografar outros fotógrafos. A exposição demonstra essa sua característica específica no mundo da fotografia, além de exibir uma “timeline” com a história e evolução da fotografia através de imagens, câmeras fotográficas e até disponibiliza uma interessantíssima demonstração obsoleta de revelação de fotos. Adicionalmente, são apresentados detalhes da técnica fotográfica da época com explicação sobre os processos de revelação, fixação e ampliação, além de máquinas fotográficas antigas como a Rolleiflex, Hasselblad, Leica e Zeiss, entre outras.


Mas o prato principal da exposição é a cidade do Rio de Janeiro, como o título já evidencia. A câmera de Kurt registrou de forma bastante peculiar os problemas urbanísticos e as transformações radicais da cidade, que indicam que o Rio é a cidade mais singular em termos de integração entre engenharia, paisagem e urbanismo contraditório. Uma vasta obra capaz de captar todas as singularidades da sociedade carioca daquele período – seus símbolos e contradições, diferenças e transformações, cruzamentos de classes e culturas.


Porém a exposição possui um viés político bastante acentuado devido a vida do fotógrafo. Nascido em Viena, na Áustria em 1918, mas com a ascensão do nazismo, foi obrigado a abandonar os estudos de medicina e deixar Viena para seguir rumo a Lisboa, via Roterdã, com seus pais e o irmão em 1938. Chegou ao Brasil em 1939 e descobriu aqui sua paixão pela fotografia. Kurt também registrou o processo do fim da guerra contra o nazismo, quando forças democráticas se articulavam contra a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas. As diversas lutas incluíam a anistia dos presos políticos submetidos às forças varguistas, o fim da ditadura e a convocação de uma constituinte para a redemocratização, com isso o voto e a diversidade dos partidos foram valorizados. Ele também foi fotógrafo do Partido Comunista e retratou Luís Carlos Prestes recém-saído da prisão. Documentou o retorno dos exilados, a luta da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a participação da sociedade civil.


A exposição traz cerca de 200 fotografias do artista austríaco realizadas no Rio de Janeiro, uma mostra de um total estimado em mais de 100 mil registros feitos por ele na cidade. Personalidades internacionais e nacionais de passagem pela cidade como o cineasta Orson Welles, o músico Luiz Gonzaga e o arquiteto Oscar Niemeyer também foram captados pela lente de Kangsbrunn.

Caso você seja um amante da boa fotografia ou apenas deseja uma gostosa viagem no tempo para entender melhor a história do Rio, a exposição estará até o dia 09/08 no Museu de Arte do Rio (Praça Mauá, 5 – Centro | Rio de Janeiro – RJ).

domingo, 17 de maio de 2015

Árdua Missão


Prevejo um Campeonato Brasileiro da Série A bem espinhoso para os clubes cariocas.

Principalmente para o Vasco.

O Campeonato Carioca é ilusório! O empate conquistado aos “trancos e barrancos” frente ao Cuiabá pela Copa do Brasil e os resultados iniciais no Campeonato Brasileiro já comprovam tal fato.

Para piorar, o clube efetuou péssimas contratações após a conquista do título estadual. Diguinho e Julio César pouco acrescentarão à equipe cruzmaltina.

Se a diretoria não for ao mercado, a parte inferior da tabela será rotina nesse Brasileirão.

Pelo lado do Fluminense, dificuldades maiores já eram esperadas para este ano.

Após o rompimento com a parceira milionária Unimed, o clube está tendo que se readaptar a um orçamento bem mais reduzido em seu departamento de futebol.

Porém, ainda foi possível manter peças importantes, como Fred, Jean e Diego Cavalieri. Além de contar com os frutos que sua base forte lhe proporciona, como Kennedy, Gerson e Marlon.

Pensar em título é utopia, isso ficou claro na dura derrota por 4 x 1 sofrida hoje para a equipe do Atlético-MG. Mas o desempenho da equipe no Brasileirão dependerá da evolução desses jovens promissores ao longo do campeonato.

Já o Flamengo, entre os clubes do Rio, é o que tem condições de deter maiores aspirações neste Brasileirão.

O clube já possuía o melhor elenco do estado, e ainda acertou a contratação do excelente colombiano Armero.

Caso consiga contratar o “camisa 10” que tanto almeja, terá possibilidade de brigar na parte de cima da tabela.

E levando em consideração o duro Campeonato Brasileiro da Série A que está se configurando para os clubes cariocas. O Botafogo começa até a olhar com bons olhos o fato de estar disputando a Série B.

abs,

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A Justiça Foi Feita!


Venceu a equipe que mais investiu, que tem o melhor técnico, a melhor defesa, o melhor ataque... Enfim, venceu o melhor!

Além do mais, a tarefa da equipe cruz-maltina começou a ser facilitada logo no primeiro jogo da decisão. E pelo técnico de seu adversário, Renê Simões, que escalou mal o time do Botafogo e o alterou equivocadamente durante a partida.

E a colaboração para com a tarefa da equipe cruz-maltina continuou a ocorrer na segunda partida da decisão. Quando logo no início do jogo, o time da Estrela Solitária perde Willian Arão, o melhor jogador do campeonato. E no fim do primeiro tempo, Marcelo Mattos termina o "serviço" ao "entregar" um gol que ampliou ainda mais a vantagem cruz-maltina.

Marcelo Mattos que tem contrato até junho de 2016 com salário de cerca de R$ 250 mil, é o mesmo que fez uma falta infantil que originou o gol da vitória do Vasco no primeiro jogo, e voltando um pouco mais no tempo, o mesmo que teve participação direta na goleada de 4 x 0 que o Botafogo sofreu do Flamengo em 2013 pela Copa do Brasil... Resumindo: Principal responsável pelos maiores fracassos do Botafogo nos últimos anos. Mais uma herança maldita do ex-presidente Maurício Assumpção.

Mas diante de todas as dificuldades enfrentadas pelo clube, o Campeonato Carioca não teve saldo ruim para o Botafogo. Mas a equipe precisa encontrar sua formação ideal o mais rápido possível, principalmente quando se trata do setor de criação da equipe, e se possível usar a criatividade no mercado (já que o dinheiro é escasso) para contratar um bom meia e um bom centroavante, tendo em vista não passar dificuldades no seu maior objetivo da temporada, a Série B que promete ser complicada por contar com equipes fortes como Bahia, Ceará, Vitória, Santa Cruz e Criciúma...

Pelo lado do Vasco, o título tem tudo para dar ânimo à equipe no restante da temporada. Equipe que ontem mostrou mais uma vez ter um goleiro acima da média, uma defesa sólida, um centroavante muito bom a nível nacional e um técnico promissor. Reforçando a lateral-esquerda, o meio-campo e o setor ofensivo pode fazer boa campanha no Campeonato Brasileiro.

abs,

domingo, 26 de abril de 2015

A Síndrome Voltou...



De lado um time mal escalado contando novamente com a insistência de Renê Simões em Gegê, com um meio-campo com zero de criatividade, uma zaga insegura e um centroavante que não decide.

Do outro, um dos melhores goleiros em atividade no país atualmente, uma zaga mais qualificada protegida por um "cão de guarda" chamado Guiñazu e com meio-campo e ataque tecnicamente superiores ao do adversário.

Mas mesmo com tantos aspectos favoráveis a uma equipe, o nivelamento do nosso futebol atual permitiu que a partida fosse decidida por fatores extra-campo.

A começar pelos técnicos. Renê Simões como já é de praxe, queimou uma substituição logo no intervalo, por novamente escalar Gegê, jogador que mesmo atuando em um time que não é nenhum primor, sempre destoa de seus demais companheiros e ainda assim continua recebendo inúmeras chances. Além disso o técnico da equipe de General Severiano, demonstrou toda sua limitação ao mais uma vez repetir sempre as mesmas substituições de todas as partidas, não fazendo a leitura dos jogos.

Já Doriva ao perceber mais uma vez a queda do condicionamento físico da equipe do Botafogo no segundo tempo, colocou três jogadores jovens no segundo tempo com dois deles decidindo o jogo. Bernardo dando o passe em cobrança de falta e Rafael Silva concluindo após bobeira da defesa.

E pra completar outro fator extra-campo também voltou à reaparecer e novamente em um momento decisivo para assombrar o time da Estrela Solitária: A síndrome dos gols sofridos nos últimos minutos...

abs,

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Querer tapar o sol com a peneira é feio demais!


Movidos por um sentimento de vingança, 87% da população brasileira são a favor da redução da maioridade penal,  sem de fato se preocuparem com a eficácia da tal medida.

Dados da UNICEF revelam a experiência mal sucedida dos EUA. O país, que assinou a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aplicou em seus adolescentes, penas previstas para os adultos. Os jovens que cumpriram pena em penitenciárias voltaram a delinquir e de forma mais violenta. O resultado concreto para a sociedade foi o agravamento da violência.

Sem contar que apenas 0,5% dos jovens cometem atos infracionais, à contraponto  possuímos uma das maiores taxas de assassinato à jovens do mundo, e ela vem crescendo cerca de 365% nos últimos anos, portanto os jovens são as maiores vítimas e não os principais autores da violência.

Para quem acha que os jovens são aliciados devido à imputabilidade, o fato de reduzir a maioridade penal pra 16 anos só fará que esse recrutamento seja feito cada vez mais cedo. E ainda há quem queira justificar o encarceramento de menores junto aos adultos devido ao fato de aos 16 anos o jovem ter direito ao voto facultativo, mas esquecem que aos 16 anos o jovem não pode nem se candidatar, entre outros direitos que essa faixa etária não dispõe.

Além do mais, no Brasil não existe impunidade para crimes cometidos por jovens, a partir dos 12 anos qualquer adolescente já é responsabilizado pelo ato cometido contra a lei. Não confundam impunidade com imputabilidade.

Também possuímos a maior taxa de crescimento carcerário e a terceira maior população carcerária do mundo, população essa composta em sua esmagadora maioria por pobres. Portanto o Brasil passa longe de ser o país da impunidade, a não ser quando falamos dos setores mais altos da sociedade, pois caso você pertença a esses tais setores, aqui você terá carta branca pra cometer o crime que quiser sem correr qualquer risco de punição. Temos como exemplo o caso de Thor Batista (que por sinal tem mais de 18 anos), filho do empresário Eike Batista, que ao dirigir de maneira imprudente e em alta velocidade atropelou e matou um ciclista e foi absolvido.

Isto posto fica claro que a redução da maioridade penal no Brasil servirá apenas para prender “menor abandonado”, ocultando a desigualdade, a miséria e a fome. O famoso jeitinho brasileiro de querer “tapar o sol com a peneira”.

abs,

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Numa Cidade Muito Longe Daqui...


Ultimamente tenho me impressionado cada vez mais com a contradição e a bipolaridade de opinião da nossa sociedade em assuntos que envolvem instituições públicas, como por exemplo a Polícia.

Os membros e simpatizantes da tal instituição, por um lado tentam legitimar as ações realizadas pela mesma afastando-a da marginalidade. E por outro lado agem na contramão de sua linha de pensamento colocando a polícia no mesmo nível dos que vivem à margem da lei explicitamente, comparando as críticas que são direcionadas a ambas partes.

Em relação a isso, o que a sociedade precisa recordar, é que a polícia é paga pela população para servir e proteger a própria população, e dela expectamos segurança. Já do manifesto criminoso não esperamos nada além de crimes.

E me dei conta que essa contradição e bipolaridade atingiram níveis extremos quando há algumas semanas, muitas pessoas buscaram a qualquer custo justificar o assassinato de uma inocente criança de 10 anos para tentar legitimar uma ação policial. As pessoas estão mais preocupadas com seus iPhones do que em resolver os problemas de fato, chegando ao ponto de colocarem bens materiais acima de uma vida.

Portanto acho que é nesse ponto que se localiza a raiz da inversão de valores envolvendo o polêmico assunto, e caso aspiramos mudanças devemos primeiramente refletir sobre isto. 

abs,