terça-feira, 10 de maio de 2016
Seja marginal, seja herói...
Quando me concedem a alcunha de marginal, não me sinto ofendido, e sim elogiado. Pois segundo o direito ateniense, Sócrates era criminoso, mas se o mesmo não tivesse violado as regras que proibiam a liberdade de pensamento, esse direito jamais teria podido ser proclamado.
Se Zumbi dos Palmares não confrontasse o Governo da Capitania de Pernambuco, a escravidão jamais teria sido abolida.
Se Mandela não fosse denunciado como sendo um terrorista comunista, foragido e preso por 27 anos, o apartheid não seria derrotado.
Se Luther King não chegasse a ser considerado um radical perseguido pelo FBI, e se Malcolm X não fosse preso ao optar por uma vida "criminosa e violenta", a população negra não teria conquistado direitos civis.
Se Pagu não fosse uma militante comunista de caráter transgressor, perseguida, torturada e presa diversas vezes, muitas conquistas da luta feminina não seriam viabilizadas.
Todos os crimes destes marginais foram essenciais à história da humanidade. O homem deixa de ser violento para se tornar marginal quando passa a ter consciência do que ataca.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Senso Comum: Covardia, Hipocrisia e Conservadorismo
Reproduzir o senso comum nada mais é do que recorrer à guarida da zona de conforto, conservando uma posição submissa ao fazer coro com as massas preponderantes. Na linguagem coloquial seria o tal do “jogar pra galera”.
O falso moralismo, no qual se esconde à sombra dos "bons costumes", é a base cultural desta conveniência, consistindo em apegar-se a normas e padrões hierarquizados que lhe convém, para condenar atos alheios e justificar os próprios.
Essa resignação torna-se uma das maneiras mais rudimentares de se acovardar, pois sempre será mais fácil e cômodo permanecer alienado e preso a pressupostos paradigmáticos do que instruir-se, refletir, raciocinar, questionar e contestar para enfim se conscientizar e, habilitar-se a argumentar, opinar e reivindicar.
Evidenciando que a covardia anda de mãos dadas com o conservadorismo, trazendo à tona a inépcia, além de uma moralidade hipócrita, da qual serve como recurso legitimador para que a maioria esmagadora possa refugiar-se atrás dos grupos opressores, recorrendo ao enaltecimento e exaltação como método de afirmação e sobrevivência.
Todavia, essa postura subordinada apenas mantém a condição daqueles intitulados meramente como “mais um na multidão”, ao aderi-la, você sempre será “só mais um... comum!”.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Sessão de Horrores
A maior concentração de hipocrisia, implante, botox e disfunção erétil por metro quadrado do planeta. Assim resume-se a Câmara Federal durante a votação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Uma turba desqualificada de "homens de família" comandados por um biltre do quilate de um Eduardo Cunha, que distribuía sorrisos pelos quais não debochava de Dilma nem dos parlamentares que o atacavam, mas de todo o povo brasileiro.
O mesmo povo que também já foi vítima da faceta autoritária do estado corporativo petista com a remoção violenta de favelas para as obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas, a utilização do exército para contenção de protestos, a ocupação de favelas pelos militares, a expansão indefinida do estado policial brasileiro (com um aumento da população prisional de 7% ao ano, prendendo primordialmente pessoas negras e pobres), além da arbitrária construção da hidrelétrica de Belo Monte.
Mas como era de se esperar, a cena mais execrável desta tenebrosa sessão plenária foi protagonizada pelo Deputado Jair Bolsonaro, que durante o anúncio de seu voto, homenageou o Coronel Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi de São Paulo - entre 1970 e 1974 - um dos principais centros de repressão do Exército durante a ditadura militar, na qual Ustra matou mais de 60 pessoas, além de ter participação em cerca de 500 torturas e desaparecimentos.
O coronel cujo o deputado intitulou como "Pavor de Dilma Rousseff", por ele ter sido responsável pela tortura da atual presidente, à época com 23 anos, chegando a deslocar sua mandíbula e quebrar seus dentes, também torturava crianças e mulheres (inclusive gestantes) e tinha entre seus métodos cruéis o costume de introduzir ratos e insetos nas genitais femininas.
À Bolsonaro e Cunha só me resta dedicar este trecho do poema "Algumas perguntas a um 'homem bom'" de Bertolt Brecht:
"Escuta, pois: nós sabemos
Que és nosso inimigo. Por isso vamos
Encostar-te ao paredão. Mas em consideração
Dos teus méritos e das tuas boas qualidades
Escolhemos um bom paredão e vamos fuzilar-te com
Boas balas atiradas por bons fuzis e enterrar-te com
Uma boa pá debaixo da terra boa".
terça-feira, 12 de abril de 2016
A Fragmentação da Esquerda
Em tempos nos quais muito especula-se sobre Foro de São Paulo, um fato antagônico a este prisma tem me chamado bastante a atenção: a segregação das vertentes de esquerda no Brasil.
Hoje, termos como "stalinista", "trotskista", "maoista", "anarquista", "petista", "socialista cristão", "new left", entre outros, são frequentemente usados de maneira pejorativa em qualquer debate ou diálogo envolvendo frentes progressistas. As forças anticapitalistas e vanguardistas em vez de articularem uma construção socialista para frear a ofensiva violenta do capital, agregarem meios para coibir avanços dos regimes neoliberais, e unidas combaterem o fascismo que cresce sorrateiramente, optam por se atacarem mutuamente, fomentando a esquerda que a direita gosta.
Em contraponto, observamos liberais e conservadores estreitarem alianças, acompanhados da dissimulada onda fascista, que pega carona no antipetismo para novamente colocar suas garras de fora. Essa coesão e organização de grupos retrógrados e opressivos, tende a ser bem nociva, sobretudo em um momento no qual é iminente a retomada do poder por parte de potências reacionárias que põem em xeque movimentos sociais, direitos de minorias e proletariado, além de inibirem qualquer forma de inclusão.
Atualmente o ódio político impera em um Brasil dicotômico, exacerbando a premência de uma conexão e associação que façam as classes dominantes tremerem frente aos ideais e anseios das massas ao enfrentarem tropas e facções repressivas sob comando dos conglomerados burgueses. É conveniente recordá-la para que possamos acatar a conclamação de nosso pai da revolução, Karl Marx: "Trabalhadores do mundo, uni-vos!".
terça-feira, 29 de março de 2016
Por que "Temer" o impeachment?
Sempre fui crítico ferrenho do governo vigente, mas a destituição de
Dilma neste momento, elevaria Cunha e Temer aos postos de vice e
Presidente da República, respectivamente. Seria colocar, de forma indireta,
no comando do poder executivo, o líder do partido detentor da maior
bancada das duas casas do Congresso Nacional que preside paralelamente,
e considerando o iminente pacto entre PMDB e PSDB (partido que
possui o terceiro maior número de parlamentares federais), os entraves
que eles próprios estabeleceram ao governo irão cessar, o país deixará o
estado de inércia no qual se encontra, e consequentemente esse fator
será usado como trunfo nas próximas campanhas presidenciais.
O
maior partido e câncer político do Brasil, tão corrupto quanto o PT, fortalecido e com a
máquina na mão, minimizará totalmente as chances de elegermos um Chefe
de Estado mais confiável em 2018. É preferível penar por mais dois anos
do que por tempo indeterminado, pois herdaremos um Planalto capitaneado
por Temer, Calheiros, Cunha, Sarney, Newtão Cardoso, Picciani, Mauro
Lopes, Osmar Terra e Jader Barbalho. Esta 'República do PMDB'
consolidada, dará prosseguimento aos esquemas de corrupção dos quais já
encabeça, e ao dispor da coadjuvação do PSDB, a blindagem mútua de dois
dos maiores partidos do país irá atravancar o combate à corrupção.
A pergunta agora é: se já está sendo muito difícil retirar do poder o
enfraquecido e combalido PT, que há mais de um ano vem sofrendo pressão
das ruas, da oposição e do judiciário, além de encontrar-se abandonado
pela sua própria base aliada, como vamos fazer para conseguir derrubar o
PMDB e suas coligações que dominarão o país inteiro?
Não gosto de
ficar em cima do muro, pois como diria Gramsci: “Viver significa tomar
partido”. Em virtude disso me posiciono contrário ao impeachment. Faz-se necessário lembrar da Lei de Murphy (Máxima número 3) de Alan Bloch: "Nada é tão ruim que não possa piorar mais ainda".
segunda-feira, 7 de março de 2016
Tudo Normal!
A primeira fase do Campeonato Carioca se encerrou, com todos os times considerados grandes se classificando com extrema facilidade, exceto o Fluminense que só confirmou sua classificação na última rodada.
Em consequência de sua instabilidade neste início de temporada, o Tricolor Carioca efetuou uma mudança no comando do time, demitindo o técnico Eduardo Baptista e contratando para o seu lugar, Levir Culpi, um dos melhores do país e, por conta disso, tem tudo para se acertar a partir de agora, pois detém, em seu elenco, um material humano de qualidade excepcional.
O Botafogo que começou 2016 cercado de desconfiança, surpreendeu a todos e terminou a primeira fase como o melhor time do campeonato.
Primeiro colocado de seu grupo, o Vasco aproveitou a manutenção de quase todo o elenco de 2015, utilizando seu entrosamento para fazer uma boa campanha neste início de Estadual.
Já o Flamengo, que assim como o Fluminense investiu pesado para esta temporada, conseguiu atingir a classificação com certa tranquilidade, embora tenha sofrido alguns tropeços.
Agora na segunda fase, espera-se novamente dos 'grandes', a manutenção de suas supremacias sobre os 'pequenos' (Boavista, Bangu, Volta Redonda e Madureira), e que tenhamos o tira-teima entre eles, para descobrir se as equipes que menos investiram, novamente levarão vantagem na fase final.
domingo, 6 de março de 2016
Lula, a Casa Grande e a Senzala
É sim. Justamente por se tratar de um legítimo representante da classe trabalhadora, o povo depositou nele suas esperanças e dele esperava-se muito mais do que de qualquer outro presidente que já esteve à frente de nosso país, o que lhe caracteriza como traidor.
Aquele Lula das décadas de 70, 80, das greves, que andava ao lado dos trabalhadores e da militância não existe mais. Lula não é mais de esquerda desde que iniciou suas alianças com reacionários como José Alencar, Sarney, Garotinho, Maluf, Collor, Pezão, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Renan Calheiros, Jader Barbalho, entre outros, e quando lançou aquela 'Carta aos Brasileiros' com a promessa de que o Lulinha era Paz, Amor e Continuidade. Sobretudo continuidade.
Hoje Lula é só um capitalista que ganha dinheiro vendendo sua influência, e também a sua alma, para o grande capital, estabelecendo relações promíscuas com a elite, grandes corporações e empreiteiras e, seus respectivos donos. O Lula de hoje é um fiel colaborador da corrupção!
E paga um alto preço por puxar o saco da Casa Grande e esquecer que eles nunca aceitarão quem vem da senzala!
Assinar:
Postagens (Atom)






