terça-feira, 1 de março de 2016

PT X Socialismo


Aos amiguinhos que persistem em propalar que o governo do PT é socialista, serei didático pela última vez.

Socialismo: consiste em uma variação do marxismo que promove um estágio político e econômico fundamentado no Estado de bem-estar social que intercede em prol do proletariado, instaurando a dissolução de classes e a coletivização dos meios de produção ao romper com a mentalidade capitalista, para posteriormente tornar dispensável a presença desse Estado à medida que ocorre a transição para o comunismo, aonde ele sequer sobrevém, pois o mesmo é anárquico, com os meios de produção sendo transferidos para o domínio do povo.

Governo petista: já nomeou um banqueiro como Ministro da Fazenda, uma ruralista como Ministra da Agricultura e um imobiliário como Ministro das Cidades, além de coagir o proletariado a pagar a conta pela crise por meio de um ajuste fiscal que corta direitos trabalhistas e verba da previdência social, saúde, educação e reforma agrária, enquanto banqueiros batem recordes de lucro, sem que o governo ao menos cogite taxar as grandes fortunas.

Isto posto, alguma semelhança foi constatada?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Dica Cultural: Álbum de Família


A peça “Álbum de Família”, em cartaz no Teatro Poeira, em Botafogo, é uma montagem da obra de Nelson Rodrigues e conta em seu elenco com meu amigo, Luiz Gustavo Padrão.

Com olhar contemporâneo, o diretor Marcelo Caldas utiliza uma encenação realista, adotando uma roupagem mais atual, tornando a peça mais dinâmica e de fácil compreensão.

Os personagens refletem de maneira radical e explícita a realidade da hipocrisia das chamadas “famílias tradicionais brasileiras”, em um demagogo jogo de aparências. Luiz Gustavo interpreta o emblemático primogênito Guilherme, que tem um desejo incestuoso pela irmã, chegando ao ponto de se castrar para evitar consumar o ato sexual.

A obra, que completa 60 anos em 2016, foi proibida um ano depois de sua publicação em 1946 e liberada após 19 anos, curiosamente, em plena ditadura militar. Retrata uma família que aparenta ser perfeitamente normal, sob a ótica da moral e dos bons costumes, mas cuja intimidade no lar é caracterizada por uma rede de sentimentos complexos, muitas vezes expressados por inveja, paixões incestuosas e perversões diversas.

"Álbum de Família"
Endereço: Teatro Poeira - Rua São João Batista, 101, Botafogo – RJ
Até 30 de março, todas as terças e quartas, às 21h
Valor: De R$40 a R$ 60 reais (inteira)
Censura: 16 anos

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Os últimos serão os primeiros?


O Campeonato Carioca de 2016 iniciou da mesma forma como terminou o de 2015. Com os considerados “azarões” Botafogo e Vasco ofuscando os badalados Flamengo e Fluminense.

No sábado (30), o emergente, contestado e conturbado Botafogo passou com facilidade pelo Bangu. Apesar de ainda contar com um elenco extremante fraco para as tradições do Glorioso, o time demonstrou uma grande evolução, comparado à atuação da derrota para o Desportiva-ES, no sábado anterior. As belas atuações de Aírton e do argentino estreante Gervásio Nuñez surgem como uma luz no fim do túnel para a torcida alvinegra em um momento tão turbulento.

No mesmo dia, o Flamengo que vinha de vitória maiúscula por 2 x 0 contra o Atlético-MG, em pleno Mineirão, pela Primeira Liga, empatou em 1 x 1 com o modesto Boavista na estreia do Campeonato Estadual. Destaque positivo para o golaço de Guerrero que parece ter emplacado de vez com a camisa rubro-negra, e destaque negativo para as vaias da torcida ao zagueiro Wallace, que mais uma vez serviu de bode expiatório após levar a culpa pelo gol de empate sofrido pelo time da Gávea.

Já no domingo (31), o rebaixado à Série B, Vasco, goleou o Madureira por 4 x 1. A dupla Nenê e Riascos funcionou muito bem, demonstrando o entrosamento que só foi possível devido a manutenção de praticamente todo o time, que apesar de não conseguir evitar a queda à divisão de acesso, foi um dos melhores da reta final do último Campeonato Brasileiro, com uma espetacular campanha de recuperação.

E a maior surpresa da rodada ficou reservada para a última partida. No estádio Raulino de Oliveira, o Volta Redonda conquistou uma expressiva vitória por 3 x 1 em cima do Fluminense. O Tricolor das Laranjeiras iniciou a temporada com status de favorito após fechar com reforços de peso, como o meia Diego Souza e o zagueiro Henrique, que por sinal foi expulso na estreia contra o Voltaço.

Será que no Campeonato Carioca, mais uma vez, os últimos serão os primeiros?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Vida de Gado


Uma sociedade subalterna é constituída através do medo, da covardia e da desinformação, tal como o corpo social que integramos. Inerte e omisso, sem coragem, sem alma, sem coração. Vem ao mundo somente para viver cegamente em harmonia com as leis e ordens sociais, sem prestar-se ao mínimo trabalho de reflexão e contestação, limitando seu senso crítico.

Aos seus olhos, se torna imperceptível, o inexorável controle exercido pelo Estado, que para maquiá-lo concebe direitos. O Civil que na verdade serve meramente para que os ricos roubem os pobres e o Penal para impedir que os pobres reajam, chamando sua própria violência de lei, mas chamando de crime a violência do indivíduo, como bem ressaltou Max Stirner. 

Talvez nos falte um Martin Luther King para incitar que "temos o dever moral de desobedecer as leis injustas" e despertar em nossa gente a vontade de quebrar regras e conceitos internalizados e de certa forma acimentados, que ordinariamente tratam-se de leis que segundo Michel De Montaigne: “mantêm-se credíveis não por serem justas, mas apenas por serem leis. É o fundamento místico da autoridade delas; não tem outro, e é bastante; Frequentemente são feitas por imbecis”. Uma vez que a escravidão, o holocausto e o apartheid já estiveram dentro da lei, portanto não se deve usar a lei como parâmetro para a moralidade. 

Certa vez, Cazuza pediu piedade e um pouco de grandeza e coragem pra essa gente careta e covarde. Já Zé Ramalho, alertou em seus versos sobre a vida de gado de um povo marcado e feliz a vocês que fazem parte dessa massa de manobra, manipulada de maneira tão banal, dando origem a um grande teatro de marionetes caricatas e compactuantes, que constroem o alicerce de toda essa engrenagem do sistema. Pois como diria Simone de Beauvoir: “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”. 

Não se esqueçam que violentos são os que impõe a desigualdade, não os que lutam contra ela.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Novos e Antigos Sentimentos

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Nada Mudou

 
O futebol carioca iniciou o ano de 2015 com um clube na Série B, outro emergindo dela e sem nenhum na Libertadores... Resumindo: já era esperado um árduo caminho ao longo da temporada dos clubes do Rio.
 
Com o rompimento da poderosa parceria com a Unimed, o Fluminense já não possuía mais o poder aquisitivo de anos anteriores e precisou fazer apostas, recorrendo às categorias de base.
 
Desde o início da temporada, o Flamengo foi o clube que mais investiu, e mesmo assim não emplacou.
 
E o Campeonato Estadual já serviu como prévia, ao se consagrarem como as melhores equipes da competição, o rebaixado Botafogo e o emergente Vasco, que acabara por conquistar o título, o que por sinal fez muito mal à equipe cruzmaltina.
 
O título estadual iludiu a turma da colina! A diretoria do clube considerou que o “Carioquinha” poderia servir como parâmetro para o “Brasileirão”, achou que a base do time campeão carioca faria boa campanha no Campeonato Brasileiro e agiu com extrema lentidão e atraso para reforçar o elenco. Quando o fez já era tarde demais, não conseguindo evitar o terceiro rebaixamento do clube em oito anos.
 
O Botafogo, ao menos, conquistou seu acesso sem maiores problemas. Apesar de não apresentar um futebol empolgante, a equipe alvinegra sobrou durante a maior parte do campeonato, conquistando seu acesso com três rodadas de antecedência e o título com uma rodada antes do término da disputa da Série B.
 
E o mais desalentador, é que no geral, o futebol carioca permaneceu estagnado neste ano. O cenário futebolístico da cidade maravilhosa iniciará 2016 praticamente da mesma forma que iniciou 2015. Nada mudou...
 
abs,

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sessão Retrô: O Quarto Poder (Mad City)


O eixo central do longa-metragem gira em torno do cruzamento entre as vidas de um repórter decadente e ansioso para voltar ao topo em sua carreira e um segurança recém-demitido de um museu. A oportunidade para Max Brackett (Dustin Hoffman) conseguir um furo perfeito para voltar ao seu apse surge quando do banheiro do museu onde ele iria gravar uma matéria de pouca relevância, vê Sam Baily (John Travolta), fazendo sua ex-chefe e crianças de reféns na tentativa de recuperar seu emprego. 

Após Sam atirar acidentalmente em um segurança, seu ex-companheiro de profissão. Brackett como jornalista calejado que é, toma parte no controle da situação e transforma a impensada atitude de Sam em um show de TV. E por ser uma pessoa de fácil manipulação, Sam fez o que lhe foi recomendado pelo jornalista.

Para salvar sua carreira, Brackett usa e abusa do jornalismo sensacionalista no caso. Ele manipula entrevistas com pessoas que conhecem Sam, editando opiniões e falas de acordo com a opinião dele e do que ele pretende fazer com a reportagem. Porém seu desejo é frustrado quando os fatos começam a serem manipulados pela imprensa. A partir daí, Brackett se sensibiliza com a situação em que Sam, uma pessoa ingênua, se encontra e passa a ajudá-lo. O filme também mostra como a massa absorve essa matéria através do poder da mídia de transformar um suposto assassino em herói. 

O filme também traz a tona a reflexão de qual é o tamanho do poder de influência da mídia e o que é realmente importante em uma matéria: a veracidade dos fatos ou o impacto que eles vão causar na opinião pública?

Com certeza faz algum tempo que a imprensa deixou de ser apenas uma fonte de informações para ser uma criadora de opinião, um objeto de influência. Não é à toa que recebe o nome de Quarto Poder, depois dos três poderes do Estado democrático (Legislativo, Executivo e Judiciário).

O filme é de extrema importância para estudantes de jornalismo e para aqueles que visam a compreensão do que é o jornalismo sensacionalista. Vertente de uma insensibilidade tamanha, que busca a qualquer custo aumentar a audiência com apelações emotivas, criação de polêmicas, notícias com fatos omitidos. Basicamente quaisquer formas de se obter forte atenção popular, cujos fatos apresentados no filme retratam perfeitamente.